Editorial
Abstract
O presente volume da revista de filosofia Araripe, representa o imenso esforço de nossa equipe editorial no compromisso em compartilhar os estudos que reverberam a célebre doutrina filosófica de Blaise Pascal (1623-1662). Pascal foi um pensador de cultura filosófica não muito ampla, mas se destaca no campo da filosofia da religião, em prescrutar com cuidado a necessidade da crença na existência de Deus como argumento de ganho infinito. Desse modo, na maior parte das vezes, sua filosofia representa um atributo ao cristianismo. Sua grande obra filosófica – os Pensamentos, foi composta por um conjunto de pouco mais de mil fragmentos que, por sua vez, não são senão anotações pessoais que deveriam ter servido de base a uma apologia da religião cristã. Blaise Pascal tornou-se um autor relevante para a discussão da filosofia moderna sobre matéria de fé e razão, isto é, diante de um mundo secularizado, onde não havia mais espaços para se pensar a questão da crença na existência de Deus. Evidentemente que, o pensar fronteiriço entre fé e razão surgiu nos primórdios do cristianismo, foi alvo de ampla discussão desde a Idade Média, mas atualmente ainda se faz presente a radical exigência de se ponderar à luz da razão os conteúdos da fé. No medievo por exemplo, cabe evidenciar o nome de Agostinho de Hipona não apenas por adotar o método filosófico intellectus fidei, como metodologia importante para esta discussão, mas também pela enorme influência que a sua obra teve na tessitura da razão filosófica ocidental, sobretudo na tentativa de se fazer compreender que os conteúdos da fé correspondem a busca da verdade. A religião verdadeira, de acordo com Agostinho, outra coisa não é do que a assunção radical da própria estrutura ontológica humana, isto é, da sua essência relacional, manifesta no próprio ato de conhecer e querer que é específico da sua natureza, que revela a sua dependência radical em face da verdade suprema. Nesse contexto, entende-se que a tarefa essencial do filósofo não é apenas construir ou expor um sistema conceitual de pensamentos, resultando simplesmente no discurso meramente teórico, muitas vezes sem relação com o modo de vida do próprio filósofo, mas quando isto acontece ela sofre uma modificação radical, a filosofia começa a ser uma disciplina profundamente escolar e universitária, e o filósofo, segundo a expressão de Kant, torna-se um artista da razão que se interessa apenas por uma especulação abstrata e tampouco refletir sobre a vida prática. A Revista de Filosofia Araripe não pretende ser apenas o lugar para exposição de sistemas filosóficos, mas visa, sobretudo, tornar-se o espaço democrático, cuja pluralidade das discussões filosóficas em todos os tempos seja o nosso fundamento. Antes tudo, devemos notar que para qualquer sujeito que se propõe a pensar, o exercício filosófico nos provoca a lançar-se sobre a dinâmica da vida cotidiana, não podemos separar vida e pensamento. E, nesse movimento, portanto, somos interpelados no cotidiano por várias indagações: Qual o sentido da existência humana? Por que existe o mal? O que é a felicidade? Deus existe? Qual o fundamento da fé? O filósofo alemão, Karl Jaspers (1883-1969) escreve que a filosofia é embaraçosa porque altera nossas posições, nosso estado de espírito e nos provoca a rever os nossos juízos. Pela ausência da filosofia massas e operários são mais fáceis de serem manipulados por uma inteligência de rebanho. Evidentemente que nessa configuração o ato filosófico não se situa somente na ordem epistemológica, isto é, do conhecimento, mas também na ordem do “eu”, do agir e do ser: É uma conversão que subverte toda a vida, que muda o ser daquele que a realiza. Ela o faz passar de um estado de vida inautêntico, obscurecido pela inconsciência, corroído pela preocupação, para um estado de vida autêntico, no qual o homem atinge a consciência de si, a visão mais plena do mundo, da paz e da liberdade interior. Os Sábios da escola de Alexandria expressavam muito bem esse papel da filosofia, como uma maneira de existir no mundo, que deve ser praticada a cada instante e que deve transformar toda a vida humana. Assim como escreve Sócrates: uma vida sem reflexão não é digna de ser vivida. Desejo boa leitura!
References
Editor-Chefe da Araripe: Revista de Filosofia
Universidade Federal do Cariri (UFCA)
1 Ao submeter trabalhos à revista ARARIPE, caso este seja aprovado, o autor autoriza sua publicação sem quaisquer ônus para a revista ou para seus editores.
2 Os direitos autorais dos artigos publicados na ARARIPE são do autor, com direitos de primeira publicação reservados para este periódico.
3 Fica resguardado ao autor o direito de republicar seu trabalho, do modo como lhe aprouver (em sites, blogs, repositórios, ou na forma de capítulos de livros), desde que em data posterior fazendo a referência à revista ARARIPE como publicação original.
4 A revista se reserva o direito de efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores.
5 Os originais não serão devolvidos aos autores.
6 As opiniões emitidas pelos autores são de sua inteira e exclusiva responsabilidade.
7 Ao submeterem seus trabalhos à ARARIPE os autores certificam que os mesmos são de autoria própria e inéditos, ou seja, não publicados anteriormente em qualquer meio digital ou impresso.
8 A revista ARARIPE adota a Política de Acesso Livre para os trabalhos publicados sendo sua publicação de acesso livre, pública e gratuita. Portanto, os autores ao submeterem seus trabalhos concordam que os mesmos são de uso gratuito sob a licença Creative Commons - Atribuição Não-comercial 4.0 Internacional.
9 O trabalho submetido poderá passar por algum software em busca de possíveis plágios para averiguar a autenticidade do material e, assim, assegurar a credibilidade das publicações da ARARIPE e do próprio autor diante da comunidade filosófica do país e do exterior.
10 Mas, apesar disto, após aprovação e publicação do artigo, for constatando qualquer ilegalidade, fraude, ou outra atitude que coloque em dúvida a lisura da publicação, em especial a prática de plágio, o trabalho estará automaticamente rejeitado.
11 Caso o trabalho já tenha sido publicado, será imediatamente retirado da base da revista ARARIPE, sendo proibida sua posterior citação vinculada a ela e, no número seguinte em que ocorreu a publicação, será comunicado o cancelamento da referida publicação. Em caso de deflagração do procedimento para a retratação do trabalho, os autores serão previamente informados, sendo-lhes garantidos o direito à ampla defesa.
12 Os dados pessoais fornecidos pelos autores serão utilizados exclusivamente para os serviços prestados por essa publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.

