Negatividade e autoconhecimento em Blaise Pascal

  • Rodrigo Hayasi Pinto Universidade Cidade Verde - Unicv
Palavras-chave: Blaise Pascal, Autoconhecimento, Negatividade, Infinito, Pecado

Resumo

O presente artigo visa explorar a noção de autoconhecimento em Blaise Pascal. O homem pascaliano, para conhecer a si próprio, precisa se visar sob dois vieses: enquanto criatura e enquanto pecador. Enquanto criatura, o homem se descobre um nada, ao menos no que toca a sua desproporção com o infinitamente grande e com o infinitamente pequeno. Enquanto pecador, o homem deve reconhecer o vazio infinito que possui dentro de si, um vazio do tamanho de Deus. No entanto, ainda que seja uma decorrência do pecado original, não é necessário que se recorra à teologia para que tal vazio seja diagnosticado, bastando, para tal, uma análise da vida cotidiana, marcada ela toda pela dinâmica do divertimento/tédio. Conclui-se que somente ao encarar a negatividade que perpassa o processo de autoconhecimento é que o homem pascaliano pode, paradoxalmente, reconhecer sua dignidade.

Biografia do Autor

Rodrigo Hayasi Pinto, Universidade Cidade Verde - Unicv

Possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná e Mestrado e Doutorado em Filosofia da Ciência pela Universidade Federal de São Carlos. Professor efetivo do departamento de Filosofia da Universidade Cidade Verde (Unicv). E-mail: rhayasi48@gmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/7643455105655507

Referências

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Publicado
2026-03-09
Como Citar
Hayasi Pinto, R. (2026). Negatividade e autoconhecimento em Blaise Pascal. ARARIPE — REVISTA DE FILOSOFIA - , 6(1), 45-61. https://doi.org/10.56837/Araripe.2025.v6.n1.1488