Nem tudo o que é incompreensível deixa de existir: o infinito e as limitações da razão humana segundo Pascal

  • João F. N. B. Cortese Universidade de São Paulo - USP
Palavras-chave: Incompreensibilidade, Infinito, Pensamentos, Geometria projetiva, Blaise Pascal

Resumo

“Incompreensível. Nem tudo o que é incompreensível deixa de existir. O número infinito, um espaço infinito igual ao finito” – assim escreve Pascal em uma célebre passagem dos seus Pensamentos. Pascal não vê na incompreensibilidade de algo um impedimento para a sua existência: não deveríamos negá-la em função dos limites de nosso pensamento. Tal princípio, como expomos neste artigo, é caro a Pascal tanto no domínio científico e matemático quanto no filosófico e religioso. Seu lugar particular de aparição diz respeito ao infinito, e a como a razão humana é limitada para a compreensão deste.

Biografia do Autor

João F. N. B. Cortese, Universidade de São Paulo - USP

Professor de Filosofia no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), onde coordena o Biófilo – Laboratório de Filosofia e Biologia (https://biofilo.ib.usp.br/). Lattes: http://lattes.cnpq.br/3324430832612696 E-mail: joao.cortese@usp.br

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Publicado
2026-03-09
Como Citar
Cortese, J. (2026). Nem tudo o que é incompreensível deixa de existir: o infinito e as limitações da razão humana segundo Pascal. ARARIPE — REVISTA DE FILOSOFIA - , 6(1), 62-79. https://doi.org/10.56837/Araripe.2025.v6.n1.1489