As políticas de ações afirmativas e a luta antirracista em bibliotecas universitárias
Resumo
As Políticas de Ações Afirmativas (PAAs) perfazem iniciativas que almejam reparar desigualdades historicamente construídas, que surgem com base em processos estruturais de violência e discriminação. Podemos considerar – conforme sugerem Gomes, Silva e Brito (2021) – que a Lei nº 12.711/2012 é um dos exemplos paradigmáticos de PAAs no contexto brasileiro, uma vez que instituiu um amplo sistema de reserva de vagas para acesso de pessoas negras, indígenas, quilombolas e em situação de vulnerabilidade socioeconômica aos cursos das instituições federais de ensino. A presença, na universidade, de grupos que dela foram historicamente excluídos desvelou o modo como o racismo epistêmico se desdobra em espaços acadêmicos, inclusive nas bibliotecas universitárias (BUs). Nesse sentido, partimos da perspectiva de que as bibliotecas representam espaços de memória que, a despeito de estarem atravessadas pela lógica da colonialidade e do racismo, podem, ainda assim, constituir espaços de resistências e reexistências, desde que as vozes de sujeitos historicamente vulnerabilizados ecoem nas práticas que guiam a atuação das BUs. Diante deste contexto, o presente trabalho objetiva analisar as visões que estudantes usuárias/os de políticas públicas de ações afirmativas possuem sobre as BUs, bem como suas demandas para que se sintam acolhidas/os nesses espaços. Em termos metodológicos, a pesquisa apresentou uma abordagem qualitativa, em que foram colhidas histórias de vida e relatos de experiências de quatro estudantes de graduação e/ou pós-graduação que frequentam BUs e são também usuárias/os de PAAs em uma universidade federal brasileira. Em suma, os resultados apontam que as BUs representam espaços fundamentais para a permanência de estudantes usuárias/os de PAAs nas universidades. A despeito de as/os interlocutoras/es da pesquisa destacarem a importância do acervo, há uma demanda para que as BUs constituam espaços atravessados por práticas culturais calcadas na dimensão da oralidade e protagonizadas por mestras/es de saberes populares. Por fim, a pesquisa revelou ainda que as BUs precisam despir-se de barreiras que, em termos subjetivos, impedem que mais pessoas provenientes de grupos vulnerabilizados estejam nesses lugares.
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