Capoeira Angola: corporeidade e ancestralidade na cultura popular brasileira
Resumo
As manifestações culturais brasileiras afro-diaspóricas, como a Capoeira Angola, mais que símbolo de resistência, são memórias grafadas no corpo, são espaço-tempo de ancestralidade sempre presente. Nesse sentido, esse estudo busca identificar os princípios filosóficos ancestrais de vida e de mundo Bakongo narrados nas performances corporais na Capoeira Angola, enquanto memória corpórea. Para isto, trouxe para a roda a discussão sobre a corporeidade do filósofo francês Merleau-Ponty, e o pensamento ancestral dos Bakongo apresentada por Bunseki Fu-Kiau, numa metodologia transdisciplinar, que investiga o corpo e suas performances na Cultura Popular Brasileira.
Referências
ABIB, Pedro Rodolpho Jungers. Capoeira Angola: cultura popular e o jogo dos saberes na roda. 2a ed. - Salvador: EDUFBA, 2017.
ARANA, Paola Vargas. Balanço historiográfico sobre as insurgências de africanos(as) e afrodes-cendentes contra a escravidão em América. Anais eletrônicos da XII Jornada de Estudos Histó-ricos Professor Manoel Salgado (2017) PPGHIS-UFRJ, v. 3, p. 657-678, 2017.
BARÃO, Adriana de Carvalho. A performance ritual da roda de capoeira. 1999. 182 f. Disserta-ção (Mestrado em Artes Corporais) UNICAMP, Campinas, 1999.
BIOGRAFIA DE MULHERES AFRICANAS. Nzinga Mbandi (1583–1663). Verbete. Disponível em: https://www.ufrgs.br/africanas/nzinga-mbandi-1583-1663/.
CHAUÍ, Marilena. Conformismo e resistências: aspectos da cultura popular no Brasil. Brasiliense: São Paulo, 2021.
CHIZZOTTI, Antônio. Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais. 4ª ed. São Paulo: Cortez, 2000.
CUCHE, Denys. A noção de cultura nas Ciências Sociais. Tradução de Viviane Ribeiro, Bauru: EDUSC, 1999.
DIAS, Adriana Albert. A mandinga e a cultura malandra dos capoeiras. Salvador, 1910-1925. Revista de História, 1, 2 (2009).
FALCÃO, José Luiz Cirqueira; SILVA, Renata de Lima (Kabilaewatala). Performance negra e dra-maturgias do corpo na Capoeira Angola. Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2021, p. 163.
FIGUEIREDO, Jadismar de Lima. Corpo próprio, espacialidade e mundo percebido em Merleau-Ponty. 2015. 131 f. Dissertação (Pós-graduação em Filosofia). Universidade Federal da Para-íba, Paraíba, 2015.
FONSECA, Mariana Bracks. Epistemologia da ginga: memória, história e corporalidade na diáspo-ra angolana. Revista de Humanidades e Letras ISSN: 2359-2354 Vol. 6 | Nº 1 | Ano 2020.
FU-KIAU. Kimbwandende Kia Bunseki. Kapuera e cultura ancestral bantu. Lemba Institut – New York/USA) Salvador/BA, agosto de 1997.
FU-KIAU. Kimbwandende Kia Bunseki. O livro africano sem título: cosmologia dos Bantu-Kongo. Tradução e nota à edição brasileira de Tiganá Santana. 1 ed. Rio de Janeiro: Cobogó, 2024.
KORTE, Gustavo. Introdução à metodologia transdisciplinar. São Paulo: NEST, 2000.
MALANDRINO, Brígida Carla. “Há sempre confiança de se estar ligado a alguém”: dimensões utó-picas das expressões da religiosidade bantú no Brasil. Tese (Doutorado) em Ciências da Reli-gião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo, 2010.
MARTINS, Leda Maria. Afrografias da Memória: O reinado do Rosário no Jatobá. 2 ed. São Paulo: Perspectiva, 2021.
MARTINS, Maria Leda. Performances do tempo espiralar, poéticas do corpo-tela. 1 ed. Rio de Janeiro: Cobotá, 2021.
MELO, Salvio Fernandes de. A mandinga da voz e do corpo: oralidade, performance, poesia. No-vas Edições Acadêmicas: Saarbrücken, 2014. 215 p.
MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. Tradução de Carlos Alberto Ribeiro de Moura. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes. 2006.
NAVARRO, Verônica Daniela. DESTERRITORIALIZAÇÃO ENRAIZADA: Experiências de criação artística nas fronteiras da Argentina e do Brasil. 2022. 256 f. Tese (Doutorado em Artes Cêni-cas) Universidade Federal da Bahia, BAHIA, 2022.
OLIVEIRA, Eduardo. Cosmovisão africana no Brasil: Elementos para uma filosofia afrodescenden-te. 1ª ed. Ape'Ku Editora, 2021.
SANTANA, Tiganá. A cosmologia africana dos bantu-kongo por Bunseki Fu-Kiau: tradução negra, reflexões e diálogos a partir do Brasil. 234 p. Tese (Doutorado) Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019.
SODRÉ, Muniz. Cultura, corpo e afeto. Revista Dança, Salvador, v. 3, n. 1, p. 10-20, jan./jul. 2014.
SODRÉ, Muniz. Pensar nagô. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017.
TEMPELS, Placide Frans. La Philosophie bantoue. Elizabethville: Lovania, 1945 [Paris: Présence Africaine, 1949].
VERÍSSIMO, Danilo Saretta. Considerações sobre corporeidade e percepção no último Merleau-Ponty. Estudos de Psicologia, 18(4), outubro-dezembro/2013, 599-607 p. 2003.